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terça-feira, 6 de maio de 2014

LAGAMAR - INTRODUÇÃO

O complexo Estuarino Lagunar, ou Lagamar, tem uma extensão de 200 km de litoral, e uma área de 6.000 quilômetros quadrados. É composto por lagunas, braços de mar, baias, praias, restingas e florestas, muito bem conservadas. Isso por si só nos daria motivos de sobra para visitar o local mas, além disso, há também comunidades tradicionais como remanescentes quilombolas e caiçaras com seu modo de vida e subsistência integrado a natureza, manifestações populares, artesanato e uma culinária apetitosa a base de especiarias da região. 

Localização

O Lagamar encontra-se entre o Porto de Paranaguá - PR e o sul do Estado de SP, mais especificamente, entre Iguape e Paranaguá. 

O mapa da viagem pelo Lagamar
Fonte: revista Aventura & Ação nº 171, p. 71

Cicloviagem "Lagamar"

Embora possa ser uma cicloviagem 'tranquila' existem alguns detalhes que precisam ser bem planejados como marés, travessia entre as ilhas, etc. Existem várias possibilidades para esta cicloviagem, pois é possível partir de vários lugares. 

  • Opção 1 - Iguape >  Cananéia > Ilha do Cardoso > Superagui > Peças > Ilha do Mel - mais ou menos 150 km pedalados e alguns quilômetros de barco. 
  • Opção 2 - Cananéia  > Ariri > Ilha do Cardoso > Superagui > Peças > Ilha do Mel - mais ou menos 150 km pedalados e alguns quilômetros de barco. 
OBS. Este trajeto, Cananeia ao vilarejo Ariri, tem uns 60 km em estrada de terra e passa por algumas pequenas cachoeiras e 'pinguelas' (pontes de madeira). Nem sempre é possível passar por ali de carro, pois a estrada pode estar bem ruim. No entanto, de bike, é sempre possível e já ouvi dizer que o trecho é muito bonito. De lá, os cicloturistas seguem para Ilha do Cardoso, passando pelas outras ilhas já citadas. 

O maior problema desta viagem está relacionada a parte logística, principalmente para voltar. Normalmente, o pessoal pega um barco / escuna até Paranaguá, de lá segue de ônibus para Curitiba e na rodoviária pega outro ônibus para casa. 
  • De ônibus - eu acredito que ficaria em torno de uns R$ 200,00 por pessoa.  
  • De Van - Fiz uma cotação e, para nos buscar em Paranaguá, cobrariam algo em torno de R$ 1.620,00. 
  • De Barco - Outra possibilidade é pegar um barco na Ilha do Mel e voltar até Cananéia (local onde poderia deixar seu carro, para ir e voltar). No entanto, este trecho tem 120 km e o barco custará mais ou menos R$ 900,00... 
Por isso, a opção por nós escolhida, foi seguir com uma empresa contratada.

  • Opção 3 - Sandro Ribas, da empresa Expedição & Aventura Outdoor. Cananeia > Ilha do Cardoso > Superagui > Peças > Ilha do Mel. (90km divididos em 4 dias)


Meu Planejamento

Quando fizemos o Caminho do Sol, conquistei mais uma amiga 'virtual' muito querida! Seu nome é Silvana Bianchi e ela mora em Cananeia. É muito interessante pois, quando há algo em comum entre as pessoas, nos aproximamos mesmo sem nos conhecer pessoalmente. Comentei com ela que Filipe e eu estávamos com vontade de fazer a 'travessia das ilhas', mais conhecida como Cicloviagem Lagamar. Encontramos uma 'brecha' em nosso calendário no dia 01/05, quinta-feira, feriado do dia do trabalhador e comentei que provavelmente faríamos neste período. Tentei convencê-la a ir conosco, mas ela ainda não se sente segura para pedalar por vários dias. No entanto, descobrimos que Sandro Ribas, da empresa Expedição & Aventura Outdoor, faria este pedal com um casal. Fiquei muito animada e entrei em contato com ele para, quem sabe, nos encontrarmos por lá. 



Sandro muito gentilmente marcou conosco e nos apresentou seu roteiro fantástico! Ele é um guia turístico e entende tudo sobre a região. Sua empresa possui várias viagens de aventura (para vários lugares), envolvendo trekking, bike e canoagem. Quem quiser conhecer um pouco melhor seu trabalho, curta sua página, no facebook (link) ou entre em contato por fone / email acima. 

A melhor parte disso tudo, é que ele resolveu nosso problema logístico. Fechamos com ele e começamos a nos preparar para a viagem! Quando Silvana soube que estaríamos por lá, praticamente nos convocou para que ficássemos em sua casa! Por isso, ao invés de partirmos na quinta-feira, dia 01/05, fomos na quarta, dia 30/04, para sua casa. A viagem foi perfeita, saímos às 18 hrs e às 22 hrs chegamos em Cananéia. Foi delicioso ser tão bem recebidos por nossos queridos anfitriões. Parecia que nos conhecíamos por uma vida! Comemos uma pizza maravilhosa, tomamos quase 2 garrafas de vinho, rimos e conversamos até às 02:00 hrs da manhã. 



No dia seguinte, acordamos e fomos conhecer a cidade de Cananeia com nossos queridos amigos. 

História de Cananeia

Descobri que, embora não se tenha documentos disso, a cidade de Cananéia pode ter sido a mais antiga do Brasil. No entanto, pela documentação, São Vicente foi fundada dois meses antes, no ano de 1532. Devido a cidade estar localizada em um ponto estratégico, entre os séculos XV e XII, servia como ponto de reabastecimento e também produzia estaleiros. Nos séculos seguintes, a pesca começou a ganhar força e, até os dias de hoje, é a base da economia da cidade. 

Boa parte da história, pode ser observada através de sua arquitetura, na vila do Centro Histórico. 





Fomos conhecer a cidade a pé. Andamos por quase tudo em apenas algumas horas. Caminhamos pela marina, centro histórico e depois compramos uma carne de siri para fazermos nosso almoço. 




Peixaria temática:


Ricardo fez um macarrão incrivelmente bom, enquanto Silvana fez a casquinha de siri. Começamos aqui nossa viagem gastronômica que me faria voltar com muitooosss quilinhos a mais... Estava tudo perfeito, companhia e comida.



Logo após o almoço, começamos a organizar nossas bikes para partir. Às 15 hrs, em frente a igreja matriz, nos encontramos com Sandro e conhecemos nossos novos parceiros de viagem, Eros e Eli. Nossa inesquecível expedição será descrita nos próximos episódios... 



Fonte de pesquisa:
http://www.cananeiatur.com/
http://viagensdepaulopom.blogspot.com.br/2013/03/cicloviagem-lagamar-introducao.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Canan%C3%A9ia

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Dia 04 - Ilha do Mel - 04/05/2014

Hoje é o dia de conhecer a famosa Ilha do Mel. Estávamos realmente ansiosos por isso! Nosso almoço estava previsto para 15h, devido a isso, caprichamos no café da manhã. 


Quando partimos, o tempo estava meio nublado... nos remetendo um 'ar de suspense'... 



As vezes, as nuvens abriam e davam um espacinho para o sol nos desejar um 'Bom dia'. 


Já embarcados, cada um foi procurando um lugarzinho para se ajeitar e curtir a travessia. Amei termos ido em um típico barco de pesca... aqui tem espaço suficiente para irmos de um lado para o outro.


É claro que Eros, nossa brincalhona, não perderia a oportunidade de brincar de Titanic. 





Após assistirmos a mais alguns golfinhos brincando, bem próximos ao barco, começamos avistar a ilha... logo, atracamos e descemos, bem próximo a Torre da Marinha, na praia do Cassual. 


Torre da Marinha - Praia do Cassual


Ilha do Mel

A ilha é uma das praias mais importantes do litoral paranaense. Ela pertence ao município de Paranaguá e têm várias leis que a protegem de degradação. Achei interessante a existência de uma lei que define até um número máximo de turistas por dia, não podendo ultrapassar 5.000 pessoas. Assim como as outras ilhas, não existem carros, nem luz pública, próximo da praia ou trilha.



No entanto, para nós, que passamos vários dias em locais bem 'desertos', achamos a ilha bastante movimentada. Há também, muita estrutura turística, com inúmeras pousadas, camping e comércios. Sinto falta do isolamento dos dias anteriores.

O passeio de Sandro é, como sempre, muito bem organizado. Já tínhamos tudo marcado com Carlinhos, que nos viria buscar aqui na ilha, e já estava tudo certo com Pérola Negra, barco que nos trouxe no primeiro dia e nos levará de volta, hoje, até Cananeia. Por isso, tínhamos apenas 3 horas para desbravar o que fosse possível. Seguimos da Praia Cassual até a Ponta do Bicho e, na sequencia, seguimos em direção a Fortaleza. 



Como o pedal era curto, decidimos deixar de lado os equipamentos de ciclismo e partimos mais confortáveis. No entanto, Filipe tinha uma certa dificuldade com o chinelo, que caía a toda hora. Sandro e eu riamos muito com a situação. Meu marido é um péssimo 'caiçara'.



Assim que vimos a grande Fortaleza ao fundo, aproveitamos para fazer algumas fotos. 




No entanto, decidimos seguir em frente e fazer a visitação na volta... A seguir, passamos na praia do Istmo, com uma grande faixa de areia. Infelizmente não tivemos tempo para explorar o Farol, localizado entre as Praia do Istmo e a Praia de Fora, onde dizem ter uma visão privilegiada da ilha... mas com certeza, voltaremos em uma próxima expedição para fazer isso!



Atravessamos ao lado de um lagamar e fomos direto para Vila do Farol. 


Aqui, tem um pequeno 'Centro Comercial' com algumas barraquinhas, lojas e restaurantes. 




Acabo comprando uma lembrancinha da viagem, um passarinho feito de cerâmica que possui uma pequena abertura e, ao soprarmos, faz o mesmo som de um passarinho. 

Em frente a um restaurante, havia um E.T. que achei uma gracinha, rs.


Seguindo em frente, saímos na Praia de Brasília, onde haviam várias embarcações atracadas. Como aqui a terra é bem fofa, tivemos que empurrar as bikes até chegamos novamente em terra 'batida'. 


Pegamos uma trilha e voltamos até Praia do Farol. Partimos então em direção a Fortaleza. 



Agora sim, entramos para conhecer a grande construção. 



Fortaleza da Ilha do Mel

A Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres, foi uma das primeiras referências históricas sobre a ilha. Construída em 1767, pela coroa portuguesa, tinha como objetivo proteger a Vila de Paranaguá. Caso tenha interesse em saber mais, nas foto (abaixo), conta-se um pouco sobre sua história.






Na entrada, há uma grande inscrição em português arcaico. 



Em seu pátio, a esquerda, há uma pequena subida onde chegamos a um mirante com vários canhões. 



No entanto, Sandro nos avisa que há outro mirante, a direita, no topo de uma montanha, uns 500m acima. Partimos todos em busca de, quem sabe, uma imagem perfeita.


A subida é bem ingrime e parcialmente estruturada, metade tendo um tipo de calçamento e, a outra metade, uma trilha em terra batida.



Quando chegamos, fomos surpreendidos por alguns corredores que terminam em um espaço maior onde contém uns canhões bem grandes, provavelmente vindos da Inglaterra, de acordo com suas inscrições.




Na sequência, vimos ao fundo um mirante e realmente fomos surpreendidos com a bela visão da ilha. Pausa para fotos!




Como não tínhamos tempo a 'perder', descemos a fim de encontrar Sandro, que nos aguardava em volta das bikes. Infelizmente, haviam algumas pessoas alternativas, que estavam em uma 'vibe' meio diferente, e queriam andar com uma bike emprestada. Por esta razão, não podíamos descuidar. 

Lá embaixo, há uma sala com algumas informações, fotos e livros sobre a ilha..



Preciso citar que, para mim, o grande momento na Ilha do Mel, foi assistir um pássaro chamado mergulhão. Ele sobrevoa as águas, olhando atentamente em direção ao mar. De repente, quando encontra algo, provavelmente um peixe para sua refeição, encolhe suas asas, deixando as 'perninhas' bem esticadas ('a la' bailarina) e desce na maior velocidade, mergulhando no mar. Imediatamente, após seu 'salto ornamental', sai da água e voa, sem a menor dificuldade, como se suas penas não estivessem molhadas. Rio muito com eles... Consigo fazer um vídeo deste momento. 
(Mais sobre este pássaro: Mergulhão)


A visita a ilha termina com um gostinho de 'quero mais'! Gostaria muito de ter tido mais tempo para explorá-la melhor, mas acho que não faltará outras oportunidades para isso. Assim que chegamos na Praia Cassual, Carlinhos já nos aguardava em seu barco. Neste momento, Eros, Filipe e eu fizemos nosso 'grã-finale'! Embora a água estivesse um pouco fria, o que não nos havia encantado antes, neste momento estava perfeita! Aproveitamos muito!




Daqui, seguimos para a pousada do Carlinhos, pegamos nossos alforges e baldeamos as bikes para o barco do Pérola Negra. A viagem promete ser longa, partimos às 11:30h e a previsão era chegar em nosso destino umas 15h.



Em algum ponto do canal, havia um grande rochedo, tipo ilha. Até ai, nada demais. No entanto, ao nos aproximarmos dali, o piloteiro nos mostrou um tipo de pintura ou escultura. É muito interessante e bonito!




Tivemos também, a oportunidade de conhecer um 'Sambaqui', que trata-se de um depósito de materiais orgânicos que foram empilhados ao longo do tempo, provavelmente por algum grupo indígena. Nesta região, foram encontradas algumas 'Urnas Funerárias' utilizadas por índios, especificamente, de tribos tupis-guaranis.


A viagem foi rápida e chegamos a Ilha do Cardoso antes do previsto, às 14h. Descemos para almoçar.



O prato principal foi uma tainha recheada que estava simplesmente divinal! Filipe e eu experimentamos, mas não almoçamos com eles devido a termos Ricardo e Silvana nos aguardando, com lasanhas e sobremesa.



Após o delicioso almoço, seguimos para Cananeia, mais 30 minutos de barco. Durante o caminho, mais algumas apresentações de golfinhos, para marcar nossa despedida. Desta vez, não consegui fotografar ou filmar... 



Ao chegarmos na marina, já de longe, pudemos avistar nossos amigos Ricardo e Silvana, nos aguardando. Foi uma festa e uma alegria muito boa, tê-los aqui! 



Segue a foto que Silvana estava fazendo:


Na sequência, Eros, Eli e Sandro, seguiram para a pousada, onde deixaram suas coisas e Filipe e eu, seguimos para a casa de nossos queridos. Fizemos uma BIG refeição com eles, com direito a 3 tipos de lasanha, salada de batata e uma sobremesa inesquecível! Gostaríamos de poder ficar mais, no entanto, uma viagem de 4h nos aguardava. 



A viagem foi surpreendentemente boa! Conhecemos pessoalmente Silvana e Ricardo, o que posso garantir que nos fez começar com pé direito; revi meu querido amigo Sandro Ribas e conseguimos realizar um antigo sonho, de fazer uma expedição juntos (o que foi muito melhor do que pensava, aliás foi perfeito!); conhecemos mais um querido casal que com certeza nos fará companhia em alguma cicloviagem, quem sabe ainda neste ano e, por fim, conhecemos um verdadeiro paraíso nas ilhas do Cardoso, Superagui, Peças e Mel... 

Deixamos aqui o registro de nossa passagem, mas acima de tudo, o incentivo para se conhecer estes locais e seus maravilhosos habitantes. Nosso querido Sandro, guia da Expedição e Aventura Outdoor, sempre tem expedições marcadas, consulte-o! 

Obrigada a todos, por exatamente tudo!

Fonte de pesquisa:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sambaqui